Chamada a contribuções. Edição especial. Publicação: primeiro semestre de 2027

2026-04-14

ECOS DOS ESTUDOS INTERSECCIONAIS SOBRE A INFÂNCIA NO CAPITALOCENO

Data limite para recebimento de artigos: 31 de outubro de 2026

A revista Sociedad e Infancias convida-o a participar numa Edição Especial que integra o projeto K Reporters, intitulado "Reconfigurar a política na cultura infantil para ampliar as pedagogias interseccionais". Através da exploração das culturas infantis, bem como das políticas implementadas para o seu bem-estar nas sociedades contemporâneas, o K Reporters procura reconhecer a capacidade de ação das crianças e aprender com as suas estratégias criativas de sobrevivência, em particular as suas formas de lidar com o sofrimento e o conflito. Desta forma, a interseccionalidade aplicada aos estudos críticos da infância é concebida como "uma práxis contra-hegemónica que procura desafiar e deslocar a branquitude hegemónica na nomeação e legitimação de formas específicas de política, formulação de políticas e produção de conhecimento" (Konstantoni e Emejulu, 2017, p. 8).

A infância e a adolescência estão estruturadas de forma interseccional. Múltiplas intersecções constroem uma infância generificada, racializada/etnificada, classificada, sexualizada e normalizada, contrastando com uma visão global, universalista e desenvolvimentista da infância que ignora a diversidade de experiências infantis e reduz o seu percurso a fatores biológicos e psicológicos do desenvolvimento. A investigação no âmbito dos (novos) estudos da infância tem como objetivo estudar empiricamente e descrever analiticamente esta diversidade dos mundos quotidianos das crianças (Alanen, 2016). Assim, a idade, tal como o género, é considerada uma diferença socialmente construída que se intersecciona com outras dinâmicas de poder, e não meramente uma variável isolada. De facto, o conceito relacional de “geração”, que destaca as ligações entre as diferentes posições baseadas na idade e as pontes para coortes etárias mais amplas e historicamente situadas, é uma das forças motrizes nos estudos da infância (Thorne, 2004).
Os estudos da infância constituem um campo estratégico para a imaginação em tempos de crise. Os ecos [oîkos], constitutivos da economia e da ecologia, levam-nos a questionar a acumulação, a mais-valia e o crescimento infinito, de modo a repensar o mundo como lar numa perspectiva comunitária. No Capitaloceno, a dinâmica do capitalismo racial, as crises socioecológicas e a precarização da vida naturalizaram a reprodução social. Estudar a infância no Capitaloceno sinaliza o nosso compromisso em examinar “o capitalismo como uma ecologia mundial situada e multiespécie de capital, poder e reprodução” (Moore, 2016, p. 94). Esta edição especial procura fazer eco de [ēkhó] os estudos interseccionais da infância na investigação, na pedagogia, na intervenção social e no ativismo, onde as crianças e os adolescentes se envolvem na política. Procuramos ressonâncias criativas e incertas que subvertam a ordem estabelecida, que imaginem, ensaiem e ampliem coletivamente formas que revolucionem a sociedade em que vivemos.

Em consonância com a atual agenda educativa, torna-se urgente compreender como as crianças desenvolvem uma cultura de resiliência e solidariedade em situações de (pós-)conflito, de forma a compreender as suas estratégias de resistência e apoio, os seus processos educativos e a sua cultura de bem-estar nas diferentes regiões do mundo. A complexa interação da interseccionalidade permite interpretar a infância e a adolescência a partir das múltiplas possibilidades de ser e habitar o mundo face aos sistemas opressivos que as permeiam (Platero, 2013). Consequentemente, esta edição especial da revista Sociedad e Infancias incluirá contribuições compostas por análises interdisciplinares, ensaios, relatórios de investigação e práticas profissionais relacionadas com os principais temas que orientam o projeto K Reporters, tais como:

• Analisar as estruturas que geram desigualdade, permitindo-nos compreender a pluralidade situada das vidas das crianças.
• Questionar as pedagogias, o saber profissional e as arquiteturas institucionais que moldam os estudos contemporâneos da infância.
• Explorar metodologias capazes de articular as subjetividades das crianças e a resistência às desigualdades de classe social, raça e género.
• Interpretar como o microcosmo se entrelaça com processos macro-socioeconômicos, políticos e ecológicos mais amplos.
• Investigar como as crianças e os adolescentes se posicionam como agentes indispensáveis para imaginar futuros mais justos num mundo marcado por crises crescentes.

Referências
Alanen, L. (2016). “Intersectionality” and other challenges to theorizing childhood. Childhood, 23(2), 157-161. DOI: 10.1177/0907568216631055

Castro, L. Rabello de (2021). Decolonizing child studies: development and globalism as orientalist perspectives. Third World Quarterly, 42(11), 2487-2504. DOI: 10.1080/01436597.2020.1788934

Konstantoni, K. y Emejulu, A. (2017). When intersectionality met childhood studies: The dilemmas of a travelling concept. Children’s Geographies, 17(1), 6-22. https://doi.org/10.1080/14733285.2016.1249824

Moore, J. W (Ed.) (2016). Anthropocene or capitalocene? Nature, history and the crisis of capitalism. Kairos PM.

Platero, L. (2013). Marañas con distintos acentos: género y sexualidad en la perspectiva interseccional. Encrucijadas. Revista Crítica de Ciencias Sociales, 5, 44-53.

Thorne, B. (2004). Theorizing age and other differences. Childhood, 11(4), 403-408. DOI: 10.1177/0907568204047103

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Sociedad e Infancias agradece a todos aqueles que, como autores, revisores ou assessores da revista, estão a contribuir para que esta seja uma referência para os estudos sobre a infância, especialmente no âmbito ibero-americano.