Sociologia da Infância e o direito de voz das crianças: reflexões sobre o conceito de polifonia

Palavras-chave: Sociologia da infância, polifonia, voz, direitos infantis, crianças

Resumo

A retórica de "dar voz às crianças" tem se destacado na Sociologia da Infância, entretanto pouco se tem avançado em torno da constatação prática desse compromisso com os direitos infantis. O conceito de polifonia, apresentado neste estudo, propõe novo paradigma na promoção de práticas mais harmoniosas, promovendo diálogo horizontal entre as vozes adultas e infantis, fundamentado na igualdade, ética e respeito mútuo. Distanciando-se da noção tradicional de "dar voz", que implica controle adulto sobre "se" e "quando" as vozes infantis serão ouvidas, a polifonia sugere abordagem colaborativa e coconstrutiva. O conceito se articula em torno de três esferas do direito: cultura, autonomia e reconhecimento, e questiona se as vozes das crianças estão sendo efetivamente incorporadas nos processos de tomada de decisão que afetam seus contextos. A reflexão sobre essas questões é crucial para situar a polifonia como meio de deslocar o poder adulto, promovendo práticas que realmente considerem as contribuições infantis. Assim, a polifonia não se limita a ouvir as crianças, mas transforma suas vozes em agentes de mudança, reconhecendo-as como participantes essenciais na construção de uma sociedade mais democrática com a infância. Em última análise, o conceito se estabelece como simbolo de compromisso, pautado em valores de liberdade e cuidado, tanto no que diz respeito à infância quanto às crianças, propondo novo modelo de interação que valoriza e integra verdadeiramente as múltiplas e plurais vozes infantis.

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Publicado
2024-12-11
Como Citar
Brito D. (2024). Sociologia da Infância e o direito de voz das crianças: reflexões sobre o conceito de polifonia. Sociedad e Infancias, 8(2), 263-273. https://doi.org/10.5209/soci.97558