“Ainda não está bom!”: avaliações, moralidades e classificações na Educação Infantil

Palavras-chave: Educação Infantil, avaliação, microviolência simbólica, classificação moral

Resumo

Este artigo analisa como as práticas avaliativas na Educação Infantil se produzem nas interações cotidianas e contribuem para processos de classificação e hierarquização escolar. A partir de três “frames” em que professoras comentam publicamente atividades realizadas pelas crianças, examinamos como a avaliação ultrapassa a atividade pedagógica e passa a operar como prática moral situada. O estudo mostra que comentários, gestos, correções e comparações implícitas podem transformar desempenhos pontuais em atributos associados às crianças, produzindo exposição pública e constrangimento. Tais práticas, frequentemente naturalizadas na rotina escolar, operam como microviolências simbólicas e antecipam lógicas classificatórias associadas à escolarização e à alfabetização. As crianças respondem a essas avaliações de diferentes maneiras, por meio de silêncios, hesitações e retraimentos corporais. As avaliações também mobilizam referências familiares, especialmente quando o desempenho é interpretado a partir de expectativas relacionadas ao apoio doméstico e à familiaridade com a escola. Concluímos que essas interações cotidianas contribuem para a produção precoce de classificações morais e trajetórias escolares desiguais, muito antes de processos formais de avaliação.

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Publicado
2026-07-10
Como Citar
Fernandes Faria Pinto, V., & Müller, F. (2026). “Ainda não está bom!”: avaliações, moralidades e classificações na Educação Infantil . Sociedad e Infancias, 10(1), 5-13. https://doi.org/10.5209/soci.107592