Violência situada em escolas rurais: experiências de meninas e meninos em Nariño, Colômbia

Palavras-chave: Infância, Violência, Conflito armado, Educação, Ruralidade

Resumo

Este artigo analisa como crianças e adolescentes rurais em Nariño, Colômbia, percebem a violência em seu ambiente escolar e como, com base nessa percepção, desenvolvem categorias práticas para compreendê-la, antecipá-la e resistir a ela. Utilizando uma abordagem sociojurídica e baseando-se em contribuições dos estudos sociais da infância, realiza-se uma revisão documental qualitativa de normas, jurisprudência e documentação pública de direitos humanos, complementada por evidências secundárias de narrativas e depoimentos publicados sobre experiências escolares em contextos de conflito. A análise está organizada em torno de quatro dinâmicas que estruturam a exposição à violência em escolas rurais: (i) recrutamento e utilização de crianças e adolescentes; (ii) deslocamento forçado e confinamento; (iii) ocupação, ataques e militarização de instituições educacionais, incluindo a presença de minas terrestres em ambientes escolares; e (iv) ameaças e violência contra professores com impacto direto na continuidade e permanência na educação. Os resultados mostram que, na experiência das crianças, a escola passa de um “lugar seguro” para um “lugar exposto”, e que as respostas institucionais intermitentes produzem uma forma de violência institucional observável por crianças e adolescentes, expressa em categorias como “zona”, “rota perigosa”, “silencio” e “ninguém responde”. Argumenta-se que a garantia do direito à educação, avaliada pelo padrão 4A, requer medidas de proteção escolar territorializadas, prevenção de recrutamento integrada à política educacional e mecanismos fortalecidos de apoio e retenção de professores.

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Publicado
2026-07-10
Como Citar
Riascos Benavides, G. (2026). Violência situada em escolas rurais: experiências de meninas e meninos em Nariño, Colômbia. Sociedad e Infancias, 10(1), 69-81. https://doi.org/10.5209/soci.107187