Chamada a contribuições 2027 Volume 11(2) Publicação: Segundo semestre de 2027
Volumen 11(2)
Publicação: Segundo semestre de 2027
As dimensões do brincar nas culturas infantis e juvenis
Data limite para recebimiento de artigos: 15 de junho de 2027
No imaginário coletivo, brincar e infância são dois conceitos intimamente ligados. Pode dizer se que existe um consenso quase universal de que brincar é uma parte essencial da vida humana, mas que se manifesta de forma mais clara e evidente nos primeiros anos de vida. Tanto assim é que brincar é reconhecido como um direito protegido pelos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos da Criança.
O brincar infantil tem sido investigado sob perspetivas históricas, culturais, educativas e sociais, destacando sempre o seu valor para o bem-estar físico e mental das crianças e adolescentes, o seu desenvolvimento e a sua socialização. Apesar disso, as perspetivas adultas moldam as observações, classificações e avaliações do brincar infantil que predominam na maioria dos estudos disponíveis. Em contrapartida, é crucial compreender as perceções das crianças e adolescentes sobre as atividades lúdicas em que participam, bem como o significado que lhes atribuem. Ambas as perceções podem diferir das dos adultos e, por isso, constituem objetos de investigação sustentados por diferentes hipóteses sobre o papel do brincar nas suas vidas. Os novos estudos sobre a infância, quer sociológicos, quer etnográficos, oferecem oportunidades para abordar a investigação desta forma, a partir da perspetiva das crianças e dos adolescentes e incluindo a sua participação como atores informados.
Embora a investigação sobre o brincar na infância tenda a considerá-lo um fenómeno universal, a verdade é que as formas, os instrumentos, as regras, os locais e o que é considerado aceitável como brincadeira variaram historicamente, e a sua expressão depende das condições socioculturais de vida das pessoas. Com a "descoberta da infância" como uma fase independente, o brincar infantil passou a ser reconhecido como uma necessidade do desenvolvimento humano, como uma ferramenta de aprendizagem e como uma atividade saudável quando realizada ao ar livre, o que se refletiu também no desenvolvimento de ambientes propícios, como parques e parques infantis nas cidades.
No entanto, esta expansão tem vindo a diminuir devido a diversos fatores de naturezas distintas, principalmente, por um lado, a proliferação de automóveis, que invade espaços anteriormente partilhados, interrompe a comunicação entre cidades ou bairros e cria barreiras à comunicação e à interação social. Da mesma forma, as novas tecnologias transformaram a natureza e as exigências do brincar, influenciando também a dimensão espacial e a necessidade de conectividade e acesso. Por outro lado, o brincar tende a desenvolver-se em ambientes estruturados, como instalações desportivas, recreios supervisionados, creches, atividades de lazer programadas ou programas educativos extracurriculares, onde aumentam a dependência, o controlo e a instrumentalização do brincar infantil por parte dos adultos.
A cultura do jogo infantil sofreu alterações definidas por um ecossistema híbrido, onde os jogos tradicionais são cultivados ao lado dos ambientes digitais, e até mesmo adaptados aos mesmos. A digitalização fomenta a individualização, enquanto a internet nos permite transcender a esfera imediata de interação e estabelecer novas estruturas para o jogo e os encontros dentro e entre gerações. Embora o acesso aos meios digitais não seja distribuído igualmente entre todas as crianças e adolescentes do mundo, isso não impede que o jogo livre infantil seja observado em todo o lado. Neste jogo, as crianças inventam as suas próprias regras, testam nas, colaboram tanto quanto competem e criam e recriam a realidade social a seu gosto.
Sociedad e Infancias convida os investigadores que estudam a infância a participar na secção monográfica desta edição, submetendo ensaios ou artigos de investigação que abordem as diversas dimensões do brincar nas culturas contemporâneas de crianças e adolescentes, focando temas como:
• De que forma o brincar influenciou as conceções e representações da infância ao longo dos tempos
• Como as crianças e os adolescentes constroem a realidade através do brincar
• Como é que os contextos socioeconómicos e culturais afetam o brincar das crianças
• Qual o conceito e o significado do brincar para as crianças e adolescentes
• Como é que os adultos tentam definir o que constitui "jogar bem" e "jogar mal"?
• Relações geracionais entre adultos e crianças através do brincar
• Evolução e transformação do brincar na infância: adaptações e reformulações de jogos do passado ao presente.
Chamada aberta sem prazo para outras secções
➢Miscelânea ➢Recensões ➢Outras colaborações
Envíos:
Serão aceites contribuições escritas em espanhol, português e inglês.
Orientações para os autores: https://revistas.ucm.es/index.php/SOCI/about/submissions
Formulário de envio: registo no sítio web da revista http://revistas.ucm.es/index.php/SOCI
Contacto: Secretariado da Revista: sociedadeinfancia@ucm.es
Sociedad e Infancias agradece a todos aqueles que, como autores, revisores ou assessores da revista, estão a contribuir para que esta seja uma referência para os estudos sobre a infância, especialmente no âmbito ibero-americano.






