Adolescência e mal-estar na saúde mental: perspectivas profissionais dos âmbitos educacional e sanitário

Palavras-chave: Saúde mental, adolescentes, medicalização, sistema educacional, sistema de saúde

Resumo

Nos últimos anos, diferentes indicadores do estado de saúde mental, bem como discursos académicos, políticos e mediáticos, têm alertado para um aumento do mal-estar, com especial ênfase na população adolescente. Isso tem favorecido o envolvimento e a intervenção de diferentes áreas relacionadas com a vida desse grupo populacional. Por isso, este estudo explora os discursos de profissionais das áreas da educação e da saúde sobre a saúde mental na adolescência, no contexto do que tem sido denominado uma «crise de saúde mental». Para tal, foi realizado um estudo qualitativo, com enfoque explicativo-interpretativo, através de 10 entrevistas semiestruturadas a professores, profissionais de psicologia, psiquiatria, serviço social em centros de saúde mental e medicina. Os resultados mostraram discursos heterogéneos e, por vezes, contraditórios sobre a conceptualização da saúde mental, onde coexistem perspetivas que reconhecem condicionantes sociais e estruturais com práticas individualizantes e centradas na intervenção clínica. Observa-se uma visão mais alarmista e intervencionista no âmbito educativo. En conjunto, este estudio reclama la necesidad de ampliar los marcos analíticos desde los que se interpreta el malestar adolescente y cuestiona la tendencia a explicarlo prioritariamente en términos de crisis y trastornos mentales, lo que abre la puerta a enfoques de investigación e intervención más complejos, contextualizados y menos medicalizadores.

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Publicado
2026-07-10
Como Citar
Bengoetxea-Regatos, M., & González-Rábago, Y. (2026). Adolescência e mal-estar na saúde mental: perspectivas profissionais dos âmbitos educacional e sanitário. Sociedad e Infancias, 10(1), 123-134. https://doi.org/10.5209/soci.107160