Chamada a contribuções 2027. Volume 11(1) Publicação: Primeiro semestre de 2027
Volume 10(1)
Publicação: Primeiro semestre de 2027
O infancismo no sul global: una perspectiva latino-americana
Data limite para recebimento de artigos: 15 de dezembro de 2026
Coeditores: John Wall, Monique Voltarelli. Childism Institute
Nas últimas décadas, o campo dos estudos da infância contribuiu significativamente para a compreensão de crianças e adolescentes como sujeitos sociais, culturais e políticos, desafiando perspectivas tradicionais que os reduziam a objetos de proteção, socialização ou desenvolvimento. Essa mudança paradigmática possibilitou o reconhecimento da infância como uma categoria social estruturada por relações de poder, desigualdades e hierarquias geracionais. Contudo, apesar desses avanços, formas profundas e naturalizadas de subordinação dos jovens persistem, limitando sua participação, autonomia e reconhecimento como sujeitos de direitos.
Nesse contexto, o conceito de infancismo emergiu como uma perspectiva crítica inovadora, em analogia ao feminismo e a outras teorias críticas, que possibilita o empoderamento das crianças ao desafiar e transformar normas e estruturas sociais relacionadas à infância. O infancismo propõe um arcabouço teórico e político voltado para o questionamento das dicotomias e hierarquias adulto-criança que subjazem à opressão, exclusão e discriminação sistêmicas sofridas por crianças, e para a promoção de transformações em direção a formas de organização social mais justas, democráticas e inclusivas em relação à idade.
Contudo, a maioria dos desenvolvimentos teóricos sobre o infancismo foi produzida no Norte Global, particularmente na Europa e na América do Norte, o que limita a compreensão de como essas dinâmicas se configuram em contextos marcados por desigualdades estruturais, legados coloniais e profundas diversidades sociais, culturais e políticas, como as encontradas na América Latina. Neste sentido, é essencial promover uma reflexão situada que explore as especificidades do infancismo na Região, incorporando perspetivas críticas, decoloniais e interseccionais que permitam uma compreensão mais profunda das múltiplas formas como as relações etárias se cruzam com outros eixos de desigualdade, como a classe social, a racialização, o género, a territorialidade e a colonialidade.
Com esta monografia, Sociedad e Infancias pretende contribuir para o desenvolvimento e consolidação do infancismo como uma perspectiva teórica, crítica e política relevante para o estudo da infância na América Latina, enquanto componente do chamado Sul Global. Procura também fomentar o diálogo interdisciplinar que possibilite a análise das relações etárias, das formas adultistas de opressão e das possibilidades de transformação no sentido de uma maior justiça intergeracional.
O objetivo geral desta edição é explorar o potencial teórico, analítico e político do infancismo para a compreensão e transformação das relações sociais no Sul Global. Mais concretamente, propõe:
1. Analisar o infancismo como estrutura conceptual e ferramenta crítica para superar a subordinação sistémica das crianças e capacitá-las no Sul Global.
2. Examinar como as relações de poder baseadas na idade se manifestam em diferentes esferas sociais, incluindo a família, as escolas, as instituições jurídicas, as políticas públicas, os ambientes digitais e a vida quotidiana.
3. Explorar as experiências, práticas e formas de agência das crianças, destacando as estratégias através das quais as crianças e os adolescentes participam, negoceiam, resistem e transformam as estruturas geracionais.
4. Contribuir para o desenvolvimento de perspetivas teóricas situadas, incorporando abordagens descoloniais, interseccionais e críticas que ajudem a iluminar as especificidades do infancismo em contextos do Sul Global.
5. Analisar as implicações do infancismo para o planeamento, a implementação e a avaliação de políticas públicas, bem como para as práticas profissionais em áreas como a educação, a proteção da infância, a justiça e a intervenção social.
6. Utilizar uma perspetiva infancista para contribuir para a produção de conhecimento que reconheça as crianças e os adolescentes como sujeitos de direitos, atores sociais e participantes legítimos na vida social e política.





