Fact-checks: liquidez de um género. Estudo de um caso português em contexto pandémico
Resumen
Este estudo propõe a abordagem da verificação de factos como processo da prática jornalística (fact-checking) e como género discursivo (fact-check) partilhado por diferentes campos da comunicação, do jornalismo à comunicação estratégica. A pandemia de COVID-19 reforçou a necessidade de destrinçar entre informação falsa e informação fidedigna. Analisam-se 205 fact-checks sobre vacinas do Polígrafo, recolhidos da página de Facebook desta agência de fact-checking. Conclui-se que: i) 79,5% das publicações analisadas partem de informações divulgadas nas redes sociais online; ii) 82% da informação verificada é falsa ou contém algum tipo de imprecisão; iii) os casos verificados como verdadeiros são, na sua maioria, informação que se pretende veicular esclarecer dúvidas sobre a vacinação; iv) a maior parte das verificações são feitas a partir de fontes oficiais (31,1%), seguindo-se as fontes especializadas (21,6%); v) os fact-checks podem ser entendidos como um cibergénero jornalístico, também apropriado pela comunicação estratégica.
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